sexta-feira, 17 de abril de 2009

Público ou Privado?



Como todos já sabem, estive, na segunda-feira, dia 13 de abril, no encontro entre a classe teatral e o Ministro da Cultura, Juca Ferreira. Entre os manifestos mais interessantes da noite, citei os das atrizes Camilla Amado e Guida Vianna, e do ator e diretor Dudu Sandroni. Essa semana, o jornal O Globo publicou uma matéria em que aborda uma das questões levantadas por Sandroni. Na verdade, é apenas um ponto do discurso para desestabilizar a justificativa que a toda hora é colocada – que o dinheiro da Lei Rouanet é público – e, com isso, um compromisso maior e uma efetiva democratização. Seria, aqui, uma discussão longa, pois para mim, há de se ter um cuidado com tudo, seja privado ou público. Vivemos numa sociedade. E controle, tem que se ter com moderação para não haver distorções. Mas não quero seguir esse caminho.

Encaro esse dinheiro como privado, posso estar sendo ingênuo ou simplista, mas sigo o seguinte raciocínio – aí, peço ajuda, não aos universitários, mas aos magistrados de plantão – que a Lei, em questão, foi um mecanismo criado para mobilizar recursos para a Cultura por meio, principalmente, da iniciativa privada; que a Lei é de isenção de imposto, renúncia, ora o que é renunciado passa a não ser mais seu (entenda-se do estado); e, terceiro, que é uma opção daquele que possui o dinheiro (pessoa jurídica ou física) em “empregá-lo” pagando os impostos públicos ou financiando projetos culturais que são escolhidos por ele.

Talvez o mais importante a ser discutido, e que, na verdade, foi a grande colocação do ator, é o compromisso do Ministério em aumentar o seu orçamento. O Ministro respondeu as colocações de Dudu, um pouco inseguro com os números, que o orçamento para a sua pasta passou de 0,2 % para 0,6%, mas ainda não atingiu a meta de 1% apregoado pelo ex Ministro Gilberto Gil.

A indústria automobilística, por exemplo, acabou de ter o seu IPI reduzido, estimulando a venda de veículos que passam a custar menos. Bom, é imposto também, não é? Esse dinheiro iria para o Estado, não iria? Mas nem por isso, vou lá na Fábrica requerer ou fazer discurso dizendo que a maçaneta do carro é minha, também, por ter sido feita com dinheiro que foi “desviado”, no bom sentido, para a sua produção. O meio, ou estrutura, pode ser um pouco diferente do aplicado na Lei Rouanet, mas no “frigir dos ovos” é tudo a mesma coisa. Como um bom e simples sanduíche de pão com ovo.

A diferença entre as duas economias, vamos colocar dessa forma, é que uma é muito bem localizada e, portanto, pode-se estabelecer mecanismos mais nítidos com prazos e recursos fixos e determinados. Já com a cultura, não. É uma economia fluida onde os atores dessa produção estão sempre a mercê de várias e distintas condicionantes, o que torna muito mais complexa e complicada uma solução.

Hoje, no jornal, tem uma manchete que a projeção da arrecadação Federal de 2009 será menor que a do ano passado para o mesmo período, em virtude das isenções fiscais dadas pelo governo como solução à crise mundial. A arrecadação do IPI, por exemplo,será de -31,51% em comparação a arrecadação do imposto de renda da Pessoa Jurídica que terá um aumento de 1,89%. Vejam, não sou contra a esses mecanismos, acho, sim, que eles são necessários, mas o que o governo não pode ignorar é que existe uma economia por trás da produção Cultural. e que deve ser pensada com responsabilidade e cuidado. Não devemos crucificar as Empresas Privadas e os estados onde a demanda por esses tipos de projetos é maior. Senti no discurso do Sr. Ministro uma certa dor de cotovelo quando menciona a divulgação de projetos importantes no estado de São Paulo por Fundações com grande notoriedade, alegando que o dinheiro oriundo daquele patrocínio é público, proveniente da Lei Rouanet. Ora, não há como negar que é proveniente da Lei, em todos os impressos e meios de comunicação estão estampados e mencionados os devidos créditos, pois isso é uma das contrapartidas da Lei. O que não podemos é desmerecer o mérito do projeto e aquele que o executou em virtude de sua exposição na mídia, pelo contrário devemos incentivar e elogiar tal iniciativa, pois se não for assim, tudo poderá ficar nas mãos do Estado. E todos sabemos que o Estado não possui estrutura e orçamento para tanta demanda.

O que mais me admira em tudo isso, é que diante de tantas denúncias de desvios de dinheiro público e do mau comportamento de nossos parlamentares, juristas e ministros, sem querer generalizar, a bandeira levantada, talvez para a mobilização da massa, seja colocada dessa forma: a utilização discriminatória da Lei, enfatizando que o seu recurso é proveniente do dinheiro público, que gera privilégios e aumenta as diferenças sociais e regionais. Sem esquecer que são os departamentos de marketing (coitados) que escolhem os projetos. Não é possível que depois de tanto tempo, o uso da Lei não tenha gerado mais resultados positivos do que negativos, pois não os nego. Deve existir menos rancor e mais ponderação para conseguirmos uma solução. Dito isso na primeira pessoa do plural.

Sem meia para as velhinhas



Na última segunda-feira, dia 13 de abril, fui ao encontro entre a classe teatral e o Ministro da Cultura, Juca Ferreira. Deve-se destacar e parabenizar essa iniciativa: colocar em discussão pública a nova proposta de projeto de lei em substituição a Lei Rouanet. Depois de mais de 4 horas de discussão, o que ficou, para mim, foram os discursos de Dudu Sandroni, Camilla Amado e Guida Vianna. Uns claramente contra a nova proposta de projeto de lei (ainda não é nem projeto de lei) e outros nem um pouco seguros com a substituição da lei vigente (Lei Rouanet).

Mas quem conseguiu tirar boas gargalhadas da plateia foi a atriz Camilla Amado. Umas de suas preocupações era a bilheteria dos teatros, principalmente com a meia entrada para as velhinhas acima de 65 anos. Segundo ela, essas velhinhas podem pagar a entrada, afinal, a maioria delas vem de VAN. Ela foi vasculhar como era o serviço das VANs e percebeu que se paga combustível, motorista e até lanchinho. Coxinha de galinha e empadinha. Tá muito bom!

Outra tirada espirituosa da atriz foi quando ela virou para o Ministro e comentou: “O senhor está muito melhor do que da vez passada. Eu até comentei: ‘será que ele está fazendo terapia?’. Dessas vez o Senhor está mais para Caetano do que para Gil.”

terça-feira, 14 de abril de 2009

Notinhas curtas 14 de abril


BO e Joaquina

Essa semana a família Obama recebeu a visita de Bo. O cão-d’água-português é a raça mais apropriada para uma das filhas do presidente. Ela é alérgica e essa raça não solta pêlos. Eu já sabia, e sempre quis ter um.

Próximo a nós, quem tem um cão da mesma raça, é o cantor Ritchie. Eu também já sabia, e encontrava com ele na pracinha em frente a academia. O que fiquei sabendo, hoje, é que a cadelinha chama-se Joaquina.


Maria Gadú

Vocês viram a Maria Gadú abraçada com o Caetano Veloso? Tem uma foto estampada hoje no O Globo. Foi após a sua apresentação no último domingo no Cinematheque. Ainda terão mais duas apresentações. Vale a pena.

www.ISOFA.TV

Para mim é novidade... acabei de descobrir na coluna da Flávia Oliveira. Vale a pena dar uma olhada. Achei muito interessante.


mondourbano.wordpress.com

Outra dica é esse site de 3 quadrinistas gaúchos. Eles criaram o Mondo Urbano. São projetos autorais em grupo, ainda não sei muito bem como funciona, não tive tempo de vasculhar, mas me pareceu bastante interessante.


90 anos de Bauhaus

Tudo bem que foi na Alemanha, mas como negar a importância da Bauhaus aqui no Brasil? Em Weimar, comemora-se os seus 90 anos e aqui? Nada?


Teatro

Todos sabem que não sou fã. Mas ultimamente tenho visto bastante e tenho tido sorte. Aí vão 4 dicas: Ainda bem que foi agora ( Teatro Candido Mendes, terça e domingo às 21h), Avenida Q” ( Teatro Clara Nunes, quinta a sábado às 21h30 e domingo às 20h), Clandestinos ( Teatro das Artes, quinta a sábado às 19h30, domingo às 19h) e “Os Estonianos” (a partir de 24 de abril no Teatro Poeira, sextas e sábados às 21h e domingos às 19h.)


Em breve - MAIO

Em breve, estarei escrevendo sobre alguns espetáculos e filmes. Entre eles - já estão na pauta - os curtas “Doce Amargo”, de Rafael Primot e “Alguns nomes do impossível”, de Gabriel Tupinambá. Estou preparando, também, um texto da peça “Os Estonianos”.


sábado, 4 de abril de 2009

Tratado WC

Por uma certa insistência de amigas e para evitar que a memória não me falhe, resolvi escrever logo o Tratado WC.

Não é de hoje, que tenho um certo desconforto em ir a banheiros públicos. Sempre evitei, o quanto pude, dividir com outros homens esse espaço onde as funções fisiológicas são exercidas por todos os seres humanos que procuram ser asseados, mas nem sempre os são. Não preciso ficar descrevendo cada função e ações exercidas dentro de um WC, mas concentrar-me-ei em apenas uma: a de número 1. Essa, por hora, me bastará.

Quando pequeno, uma fatalidade decorrente de um pedido para ir ao banheiro, deixou-me com marcas profundas que até hoje lembro com um certo constrangimento.

No colégio onde estudava, no pré-primário (por favor, senhoras mães de plantão, atualizem para a nomenclatura correta), havia uma professora que causava temor aos alunos. Ela já era velha em seu aspecto – ignoro a sua idade. De pele clara, magra, curvada, dentuça, usando óculos de grau com aros grossos e sempre com o cabelo preso em forma de coque, causava pânico nas crianças, e, em mim, principalmente.

Um dia, pedi para ir ao banheiro. Convenhamos, não havia necessidade para isso, afinal quem necessitava era eu, e se houvesse um impedimento poderia haver consequências desastrosas, se não para ela, para mim com certeza. Dito e feito. Fiquei tão envergonhado que devo ter entrado em choque, pois, deste fato em diante, não me recordo mais de nada. Apenas uma vaga lembrança de me sentir molhado e catatônico. Esse fato teria contribuído para a minha inibição em ir ao WC, mas não foi isso o que aconteceu.

Com o passar dos anos – adolescência e vida adulta –, o incômodo passou a ser menor, mas nunca deixou de existir. O temor e a timidez se transformaram em observação e estratagemas para desempenhar as minhas funções fisiológicas com tranquilidade e isolamento dentro do WC. Um banheiro só pra mim seria impossível, por isso, à custa de muita observância e autocontrole em minhas funções, consegui, ao longo de mais de 40 anos, resolver esse problema. Esse autocontrole permitia-me adiar a ida até o banheiro, às vezes, por horas. Controle completo da bexiga, que me orgulhava muito.

Mas foram as observações dentro desse ambiente masculino, o qual atrai a curiosidade de tantas mulheres, que estarei aqui expondo, como quem desvela um mistério.

Uma das coisas que mais me incomoda dentro do banheiro é o famoso mictório, que foi desmistificado por completo por Marcel Duchamp, em sua obra “O Urinol”. Na verdade não é o mictório em si, mas a sua localização e disposição. Já tive experiências com vários deles e suas derivações. Desde os mais tradicionais feitos em louça, passando pelos de metal e compridos, como condutos cortados pelo meio, pendurados a parede e atravessados por um filhete de água. Paredes, ora ou outra, serviam também para os homens, seres asseados, verterem o ouro líquido de emanação volátil e pertinente. Talvez venha daí a falta de escrúpulo do macho em verter, em espaços urbanos, o líquido ouro.

Mas, voltemos ao espaço circunscrito do banheiro. Assim que entro em um banheiro público, tenho duas opções: a cabine ou o mictório. A cabine para mim sempre foi vista como o lugar para o número 2, ou em minha mente perseguida (nada de analogias, por favor), local para o refúgio daqueles pouco privilegiados pela própria natureza. É notória a importância que os homens dão a esse fato. Para a virilidade masculina – muito embora não seja condição –, a pujança, força e demais atributos de suas funções fisiológicas podem intimidar os seus pares e determinarem-o como macho dominante diante da manada. Nada mais orgulhoso que um ser humano masculino, nas suas atribuições funcionais fisiológicas, verter com força e propriedade todo o líquido dourado, e, a sua volta, intimidar os seus “adversários”. Por isso, muito embora não sendo menos privilegiado, não me atrevo a entrar na cabine para fazer o número 1. Seria a minha derrotada. Ainda que com timidez, enfrento o desafio da comparação visual, auditiva e olfativa.

Aplico, sempre que posso, os meus estratagemas, que vão desde do cuidado em esperar todos irem ao banheiro, posicionando-me por último, até – quando o banheiro é do ambiente de trabalho, por exemplo – eleger o meu próprio mictório. Mas, nesse caso, quando eleito, posso cair numa armadilha ao me deparar com outro em meu lugar. Isso gera um certo desconforto e uma certa desorientação inicial, que tem que ser sanada, muito rapidamente, de modo a não gerar mais constrangimento.

Mas, ainda assim, apelo para a eleição do mictório posicionado da forma mais discreta e distante dos demais. Se não for possível, que seja compartilhado apenas por um dos lados por outro mictório. Nem sempre há uma pequena divisória, entre um e outro, o que geraria tranqüilidade e conforto.

Optando entre a cabine e o mictório e, depois, elegendo – quando a opção é o mictório – pelo mais discreto e solitário; passa-se ao ato. O expurgo. O alívio. O desapego... sim, em alguns casos, de forma a gerar inveja, há um desapego, contrariando até mesmo a minha tese de virilidade masculina defendida acima.

Como eu já citei, às vezes, sou vítima das minhas próprias artimanhas. A eleição é uma delas. A outra é a minha habilidade do autocontrole, que tem os seus prós e contras. O contra é que ao reter por muito tempo o expurgo, você quando se depara com o fato, o jato, não é rápido... custa a sair. Daí,surge um novo constrangimento (vocês nunca pensaram que seria tão complexo fazer um número 1, né?). Você e o mictório, e nada sai. Tudo seria tranqüilo se você estivesse sozinho e tivesse todo o tempo do mundo, mas aí aparece um... olha pra você, e com a maior naturalidade do mundo, o Niagara Falls se estabelece entre ele e a louça branca. Muitas vezes, o cidadão tripudia de você, assobia como se fosse a coisa mais natural da face da terra (e não é?). Ele vai embora, e a situação persiste. Você impávido, nem uma gota. E para piorar o constrangimento, quando sai... é um orvalhar de envergonhar qualquer bebê.

Mas vamos mudar o foco? Vamos passar a análise curiosa dos companheiros de banheiros. Tem cada peça. Um verdadeiro estudo antropológico.

Tem o “Mirador”, aquele que mira em um dos buraquinhos do mictório ou dos plásticos que cheiram a chiclet (sache) e tenta acertá-lo. O alvo pode ser, também, um gelo ou uma das bolinhas de naftalina. Na maior parte das vezes, esse tipo, antes de botar a pistolinha pra fora, dá uma cuspada para determinar o caminho do jato. Urinar vira uma brincadeira. Acertar o furo, num constante fluxo, é o desafio que vai se desfazendo conforme a bexiga vai se esvaziando. Já no caso do gelo, há um prazer em furá-lo com o jato quente e comprimido, gerando formas com resultados surpreendentes, dignas de nossa arte contemporânea.

Há o tipo “Auto-sustentável”. Põe pra fora o bigulinho, que sem qualquer apoio de seu dono, manifesta-se com autonomia e independência. Voluntarioso. Não há necessidade de controle ou direcionamento. O cidadão chega a colocar as mãos na cintura, com muita naturalidade e propriedade, ou mesmo para trás, numa postura belicosa... ameaçadora.

O que chama mais atenção, pelo sentimento de total prazer, é o tipo “Ahhh! Alívio imediato”. É aquele que surge apressado, nervoso, beirando ao descontrole total. A sua ação é sempre concluída com uma exclamação que varia de um “aiiiiiii!!!” até um “uiiiiiiii!!!!”, passando por seus derivativos, proporcionando um alívio compartilhado por todos.

Os “Desinibidos” nos assustam. Compartilham de suas intimidades que nos deixam – pelo menos a mim – sempre envergonhados. Não sou obrigado a compartilhar essas coisas com ninguém. Sem vergonha, ou pudor, deixam a mostra a torneirinha, para quem quiser ver, como se fosse o seu dedo indicador, fura bolo ou mata-piolho.

Mas, o mais esquisito de todos que já registrei, foi um tipo que pensava que estava participando do “Garoto Bundinha de Neném”. Confesso que nunca tinha visto isso antes, apenas com esse cidadão que freqüentava o mesmo banheiro público que eu. Ele arriava as calças até a altura do tornozelo, deixando parecer o cuecão. Desnecessário!

O mais grotesco é o tipo “Sonoplasta”. Aquele que se sente como um técnico de áudio de estúdio de gravação. Em tempos de violência urbana, com os tiroteios constantes, sua ação passaria desapercebida, se não estivéssemos num ambiente fechado. Às vezes um verdadeiro tiroteio é formado por seu comando involuntário (ou voluntário?), e o temor de uma bala perdida se tornar real.

Antes que me perguntem, sou do tipo “Normal”, aquele que interage e que é cúmplice do comparsa da ação. Não há a remota possibilidade de um distanciamento entre nós dois. Somos unidos pelo sacramento natural e ético, estabelecemos condutas próprias e compartilhadas.

E, para terminar o primeiro capítulo desse tratado (não esqueçam que ainda tem o número 2), para todos os tipos, no final da ação, há a famosa e aguardada, sacudidelazinha. Que pode ser discreta, abrupta ou demorada.

No final, faço como Pôncio Pilatos, lavo as minhas mãos.

ALTAR PARTICULAR – Maria Gadú

A convite de uma amiga, Georgianna, fui assistir ao show de uma menina cantora, Maria Gadú. Sem pretensão nenhuma e curioso em ver e ouvi-la – afinal um show na Aliança Francesa de Botafogo não seria a minha opção de sexta-feira à noite –, me preparei, confiante na indicação da minha amiga.No palco, acompanhada apenas pelo percussionista Doga, com um violão emprestado e sentada num banquinho com as pernas cruzadas sobre ele, dá o seu “boa noite” com um ar despojado, meio atrevido, um “quê” de Cássia Eller. Vestida de maneira a não ser identificada nem como roqueira e nem como uma cantora de raízes populares (samba, choro ...), estabelece uma dúvida do que vem por ali. Mas, ao cantar, todas as expectativas nascidas de seu visual, caem por terra. Surpreende e nos deixa atônitos. A surpresa é grande. Não só pela voz, mas pelo trabalho de composição das letras e músicas. Seus trabalhos são doces, frescos... remetendo uma poesia regional. Bucólico.

Maria é tímida, fala pouco, muito pouco, em seus shows. Um "muito obrigado" logo após a execução de uma música e outra é o que nos permite ouvir, ainda assim muito timidamente, acompanhado por um sorriso acanhado, que teima em esconder entre seu corpo frágil e o violão. Difícil fazê-la falar e mencionar mais informações sobre as canções. Mas não deixa de dar créditos as canções que não são suas, por isso, por eliminação, supõe-se que aquelas que não são mencionadas, sejam de sua autoria. Mas para que falar quando o negócio é cantar.

Ao ouvi-la, a princípio, tendemos a compará-la com outras cantoras. Fica fácil a comparação com Marisa Monte, uma de suas cantoras favoritas a quem ouviu muito quando ainda pequena (?), junto com Adoniran Barbosa. Adriana Calcanhoto (talvez pela timidez e aspecto físico) e Vanessa da Mata (pelo ar "regional" que deixa transparecer em algumas letras), seriam outras duas opções. Mas Maria é Maria. É singular. É particular em seu altar.

Tive a sorte de assistir ao show com a participação do grande Leozinho, Leandro Léo. Leozinho vem a ser uma das crianças, hoje crescido, que participaram do programa Gente Inocente da Rede Globo, apresentado pelo ator Márcio Garcia. No show, ele foi o contraponto da Maria Gadú. Espevitado, alegre e comunicativo, não cabia tanta alegria naquele quase 1,60m de altura. Muito bom ver os dois cantando, uma boa sinergia, cuja a história é traçada dos tempos em que cantavam num bar na Barra da Tijuca.

Essa paulistana, que começou a cantar nas noites de São Paulo com 14 anos de idade, muito embora aos 6 já tivesse traçado o seu destino, sentia-se distante do ambiente natural de sua idade ao qual deveria estar vivendo, pois convivia com pessoas mais velhas do que ela. Desde cedo escutou música clássica, e ainda aprecia Chico Buarque, como compositor, e o Clube da Esquina – Beto Guedes, Milton Nascimento e Lô Borges. Andou um pouco pelo mundo até chegar ao Rio de Janeiro. Em agosto de 2007, foi para a Europa junto com o Doga para participar de um Festival de Música; de lá, partiram para um tour pelo continente, tocando nas ruas e se divertindo.

Prepara o seu primeiro CD pela Som Livre, com 9 músicas de sua autoria, praticamente um trabalho autoral. Não deverão faltar “Bela Flor”, “Altar Particular”, “Linda Rosa” e “Shimbalaiê” – sua primeira música.

Agora é aguardar ou, quem quiser conferir, assistir aos seus shows (vejam a programação abaixo).

“Deixa estar que o que é pra ser vigora... eu sou tão feliz”

Shows no Cinematheque em 3 Domingos, às 20h. Dias 12, 19 e 26 de abril

Rola lista amiga por R$15,00 . Mandem os nomes para ela pelo orkut mesmo
Sem nome na lista é R$20,00

Cinematheque

R. Voluntários da Pátria, 53 - Botafogo - Rio de Janeiro - RJ
Tel: (21) 2266-1014

www.myspace.com/mariagadu

domingo, 29 de março de 2009

AINDA BEM QUE FOI AGORA


Eu já tinha recomendado essa peça, mas não escrevi muito sobre ela.

É fato que não sou um frequentador assíduo de Teatro, isso todos sabem, mas justifico. Se vou ser enganado, viajar junto com o texto e com as interpretações dos atores, tenho que ser convencido disso. Tenho que entrar na história. Por isso, gosto mais de Cinema, tudo ali me proporciona e facilita a isso. Sou diretamente jogado na tela, pelo som e imagem do filme.

Mas, voltemos ao texto. Não vou escrever e fazer uma crítica da peça. Não tenho essa capacidade (ainda) e não é essa a proposta, afinal, quando se sugere uma programação, não há necessidade de nos ater a tantos detalhes. Basta dizer que é boa e que nos proporciona divertimento.

Como já tinha mencionado, a peça trata do relacionamento de um casal jovem, mas não é apenas isso. Afinal, quantas peças já foram montadas com esse assunto? Algumas dezenas, que eu tenha visto, e centenas que já passaram pelos teatros. Trata-se de um fato, o momento do encontro dos dois e as peripécias da união, ou não, matrimonial.

Por meio de flash backs - mostrando a trajetória do casal - os questionamentos sobre a relação vão sendo apresentados de forma bem humorada e intimista, proporcionando uma cumplicidade entre protagonistas e público. Anita (Andréa Mattar) e Olavo (Carlos Vieira), com muita naturalidade, nos permitem essa aproximação.

Eles estão em completa sinergia, cumplicidade e envolvimento. Acreditei, em alguns momentos, na veracidade dos fatos contados pela Anita, e compartilhei das angustias em conquistar Anita por Olavo.

Destaco dois momentos muito divertidos, protagonizados por cada um. No primeiro, Olavo narrando o episódio do jantar e primeiro encontro do casal. Carlos Vieira administra o tempo (time) com muita perfeição, congelando a imagem e incluindo comentários. No segundo, uma cena hilária, em que Andréa interpreta uma outra personagem. Com uma peruca loira e ajustando a cabeça de forma a incorporar a mulher de seios fartos e biquíni estampada numa toalha de praia, ela consegue tirar boas risadas do público.

O texto de Julia Spadaccini e Rodrigo Nogueira é muito bem traçado. Gostei da direção de movimento de Pedro Pires, que utiliza de forma lúdica o passado recente e momentâneo, e os recursos cenográficos são bem aproveitados.

Portanto, uma boa programação para as terças ou quartas sem muito o que fazer.

Teatro Cândido Mendes
Rua Joana Angélica, 63 - Ipanema
Terça e Quarta-feira
21h

sábado, 17 de janeiro de 2009

IMPRESSÕES SEM COMPLEXO : FASHION RIO 2009


Bom, é fato. Não sou um comentarista de Moda. Não sou um jornalista e nem, de perto, um fashionista (se existir essa palavra). Mas, ninguém pode negar que sou muito curioso e que esse mundinho me causa sentimentos paradoxais.

Assisti os dois desfiles dos doze novos talentos do Rio Moda Hype, convidado pelo Robert Guimarães. Desses doze, o único que eu conhecia era o Rique Groove, querido amigo e uma pessoa encantadora.

E, no último dia do evento, assisti ao último desfile, a coleção da Complexo B.

Fiquei muito surpreso e gratificado com o que vi nos desfiles dos novos talentos. Pure de Belo Horizonte, Stefania do Distrito Federal, Martins Paulo do Piauí e Rique Groove do Rio de Janeiro. Isso não quer dizer que não tenha gostado dos outros 8 estilistas, mas esses me surpreenderam.

Do Nordeste Brasileiro, veio o piauiense, Martins Paulo. Sua coleção, inspirada na obra de Cecília Meireles, já seria um alento, uma poesia em proposta. Mesmo desconhecendo a obra dessa poetisa, qualquer um seria capaz de descobri em sua coleção as cores e fantasia de seu texto. Um universo de vestidos em tecido xadrez colorido. O estilista desconstrói padrões estabelecidos e forma novas composições. Utiliza-se da sobreposição de peças para esquentar o corpo e deixar braços e pernas de fora.

No segundo dia, o esmero, o bom acabamento e a inovação, marcaram as duas primeiras coleções, Pure de Belo Horizonte e Stefania do Distrito Federal. A Pure trabalhou com inovação no tricô, criando novas tramas, texturas e volumes. E a brasiliense Stefania Rosa alcançou um nível espetacular na manufatura de suas peças. O primeiro modelo, que entrou na passarela, mostrava uma delicadeza e refino que impressionava. Uma mistura de vestido e casaco, como se uma saia plissada fosse desvelada, dando movimento e leveza a roupa de inverno. A estilista, veterana nas passarelas, está lançando pela editora SENAC um livro sobre alfaiataria, “Alfaiataria – Modelagem Plana Masculina”.


Para encerrar o desfile dos novos talentos, a alegria e juventude da coleção de Rique Groove. Apostando no lema “paixão pela vida”, sua coleção é colorida e divertida, rompendo com padrões clássicos, principalmente para moda masculina. Paletós estampados fazendo composição com camisas coloridas e bermudões, não obrigatoriamente na mesma padronagem. Gorros, golas em forma de pequenas bóias e acessórios transformavam os modelos em bonecos, brinquedos para o grande parque diversão que é a vida. Aliás, em sua coleção passada, com uma grande inspiração nos toy arts, já mostrava essa tendência. Dessa vez, abandonou as estamparias do “boneco caveirinha”, ícone da coleção de 2008, e substituiu por corações de todas as formas, cores e tamanhos... privilegiando a paixão.

O último desfile do Fashion Rio, da grife Complexo B, foi um espetáculo. Abrindo o desfile, como um mestre-cerimônia de uma gafieira do bairro boêmio da Lapa, o ator Milton Gonçalves. Com chapéu, tênis, paletó e calça brancos, contrastando com uma camisa estampada em vinho e preto, carregando um grande cordão dourado com a letra B pendurada, deu início ao desfile de malandros re-paginados e inovadores.

A ambientação da Lapa reforçava a personificação da malandragem dos modelos, que às vezes pareciam saídos de magazines antigos, com caps, paletós curtos e bermudões, tudo na mesma padronagem. Passariam, tranqüilamente, por burgueses da sociedade britânica dos anos 40. Para contrastar com esses modelos britânicos, a coleção apresentou os malandros cariocas, de micro shorts e camisões estampados abertos, calçando tênis branco e portando um chapéu preto; envoltos em correntes douradas pesadas sustentando grandes medalhões. Esse era um dos personagens que atravessaria a passarela. Mas a grande surpresa viria quase no final, um lindo “travesti” levantou o público ao se descobrir do pesado casaco e desvelar um vestido prata metalizado... alvoroço total.

Finalizando, mais uma vez a apresentação do Malandro Milton Gonçalves ao lado do estilista, Beto Neves, e do travesti. E, para a minha surpresa, após a saída dos três da passarela, um ataque relâmpago do público às caixas de isopor que permaneciam no meio da passarela, do início ao final do desfile. Elas, cheias de gelo, portavam dezenas de garrafas da cerveja devassa. Cada um saiu com uma garrafinha pelo menos.

Brinde ao estilo Carioca-Lapa de ser.


sábado, 21 de junho de 2008

Psicodelismo no Jardim Botânico


Minha gente, é sempre muito bom ver , rever e lembrar . E assim têm sido os nossos encontros. Ora com muitos , ora com poucos . Ora com uma expectativa enorme de reencontros , ora sem imaginar o que podemos encontrar . Não foi diferente nesse último .

Ficamos esperando, à todo momento , a Loise aparecer com sua malinha primícia; a Norminha dando um pulinho para um oi ; a chegada triunfal do trio Dulce, Silvia e Cristine; a alegria da Kátia Klein; a surpresa da Lúcia, Beth, Maura, Monica Tocci, Claudia Maria e Maria Angélica... em vão .

Da Ana Paula, Andréa Ernesto, Isabela e Luis... aguardei, ao longo dos dias , “ um oi como vai, eu vou indo e você , tudo bem ?” a la Paulinho da Viola .

Gisele e Márcia Meneses avisaram; o Marcelo simulou uma ausência mas compareceu. Valdir, Marcelo Rangel, Capa , Dentinho, Digrilo e Kátia Brito ficaram devendo, mais uma vez .

Mas é perda de tempo falar dos queridos ausentes. O bom é falar do presente e o que nos espera o futuro . Dizem por aí , que o futuro a Deus pertence . Eu como não costumo “jogar ” a responsabilidade para ninguém , vou fazendo a minha parte .

Mas como eu estava escrevendo, o encontro é sempre muito bom . E dessa vez, foi um encontro de grandes revelações e, para mim, conhecimentos. Por exemplo, aprendi que a pessoa que possui um vício é um actinófris... actínico... actínio, sei lá . Actinobolia seria então o medo dos actínios em tomarem a primeira dose ? Será isso ? Ou entendi errado? Não confundam com o iogurte activa, isso é para desinimibir órgãos preguiçosos . Não é esse o caso . Mas , se por acaso estiver errado, logo logo virá a retificação, portanto aguardem.

Aprendi também , que num laboratório de análises clínicas, aquele que justamente avalia o teor e consistência da ação do activa, faz-se mapa astral . Ops! Mapa. Somente mapa .

Mas o melhor mesmo - e que vocês, ausentes , vão ficar se mordendo de curiosidade - foi saber que uma de nossas colegas virou uma grande cafetina no sul da França, uma outra teve três amantes mais novos e que uma terceira ficou grávida, se casou e se separou antes do primeiro filho nascer .... Isso, só mesmo, por meio da minha mente doentia e perversa , ou da minha progressiva senilIDADE .

Brincadeiras à parte, o encontro só gerou alegria , diversão e psicodelismo... É, psicodelismo! Afinal, somos frutos da geração 60. Prova disso, foram as fotos que tirei. Por um descuido, a máquina não estava programada para o automático, aí as fotos saíram assim meio que “foguentas”, com efeitos de raio néon, algumas até fantasmagóricas. Mas, vocês repararem, é no cerne das fotos que está a melhor parte. E foi esse o recurso que descobri na máquina. Ela foca o centro e desfigura o entorno, é uma maneira de acabar com os famosos papagaios de pirata .“There, but for the Grace of God, go I”

E para terminar :
Nunca vou ao fim das coisas. Tudo começa. Nada acaba. Eu não deixo. No meu sonho, tudo se repete, mesmo que seja preciso interrompê-los de vez em quando. Tenho medo que acabem. Porque é que se hão-de levar as coisas ao fim?

Amo o incompleto, o suspenso, o atravessado, o interrompido. Os fins entristecem-me. Viver as coisas até o fim é matá-las.

E trocá-las por outras novas é traí-las. Melhor trazê-las sempre, duvidosas e imprevisíveis mas ainda gostadas e presentes
.”


Isso, infelizmente, não é meu , mas sempre que posso repito com todo o entusiasmo que merece. É de um escritor e jornalista português chamado Miguel Esteves Cardoso, de quem gosto muito .

Beijos a todos e mais uma vez obrigado pela companhia

segunda-feira, 14 de abril de 2008

A felicidade só é real, quando compartilhada.

Minha prima insistiu que eu visse esse filme, foi sutil, mas persistente. Não há quem não saia da sala de cinema mexido, sensibilizado seria mais do que natural. Filmes como esse, eu considero como bons. Fazem-me refletir no ser e estar no mundo. Não ignoro os clichês. Imagens de road movie: personagem com mochila nas costas, braços estendidos no topo da montanha com um travelling girando em seu em torno, música envolvente com letra melosa, imagens de lugares poucos vistos, encontros que marcam e modificam o comportamento dos personagens (Bagdá Café que o diga).., sim, isso tudo está lá. Mas não há como ignorar e não ficar sensibilizado com esses clichês. Não vou assistir ao filme apenas para observar a sua linguagem, a sua trilha, o jogo de câmera... tudo isso deve ser, para mim, componentes de seu objetivo principal, contar a história e de nos sensibilizar. Conseguiu, pontos para ele.

Fez-me lembrar de outros road movies, principalmente “História Real” (The straight story) de David Lynch. Em comum, filmes que se baseiam em uma história real em território americano, mas, diferentes nas idades dos personagens, Chris tem 23 e Alvin 72. No caminho do seu objetivo/destino, encontros. Enquanto um procura a liberdade no aspecto político e emocional o outro procura a redenção, que não deixa de ser uma liberdade também.

Into the Wild, “Na Natureza Selvagem”, 2007, não é o primeiro filme do ator-diretor Sean Penn. O filme conta a história de um rapaz, Chris, recém saído da faculdade que larga tudo (família e sociedade, principalmente) para ir ao encontro da Liberdade. Ele acha que a encontrará no Alasca, e esse é o seu objetivo. Leva consigo alguns livros (Tolstói, Byron, Thoreau entre outros autores), alguns conhecimentos que vai adquirindo por meio das pessoas que vai encontrando pelo caminho e utensílios para a vida na natureza. Caça, pesca, acampa, navega, trilha, escala... passa frio, fome, calor, e essas experiências são registradas em forma de diário.

O que nos faz sensíveis a esse filme, são os vínculos que ele vai estabelecendo conosco. Uns maiores e outros menores, e diferentes para cada um de nós. Certa vez, a pouco tempo, escrevi um texto, e, como é de meu feitio, mandei para algumas pessoas. Poucas pessoas. Não esperava sensibilizar ninguém, era apenas o registro de uma experiência e procurei não estabelecer nenhum tipo de valor ao que era narrado, pois esperava uma resposta de avaliação do fato. Procurei ser objetivo, frio e impessoal. Uma das pessoas para quem enviei, encontrou comigo e me abraçou, disse que ficou sensibilizada e que eu deveria escrever um livro. Ora, o que aconteceu foi que por mais que eu tenha sido impessoal, essa pessoa já possuía vínculos comigo de afeto, ou compartilhava as minhas experiências ou, mesmo, comungava de experiências similares as minhas.

Os encontros de Chris nos emocionam porque estabelecem vínculos com as nossas experiências de vida e as nossas percepções do mundo em que vivemos. Mas o que mais chama a atenção para o filme é a coragem e despojamento de encarar as dificuldades e seguir em frente em busca de um objetivo. Não levo em consideração o motivo ou causa – de revolta ou não – , mas, mais do que tudo, a motivação de realizar um sonho, um desejo, a busca do encontro. O encontro com ele mesmo. E os meios utilizados nunca são de violência, raiva ou deslealdade, a busca pela liberdade é por meio de amor, fraternidade, amizade, compaixão, superação, obstinação e honestidade.

São várias as citações, frases de efeito, que o filme vai-nos oferecendo. Infelizmente, eu não me lembro de muitas. Lembro-me da citação para o último encontro, com um velhinho que perdeu, quando jovem, a mulher e o filho num acidente de carro enquanto lutava na 2ª Guerra Mundial. Chris, com a maturidade de um jovem de 23 anos, fala para o velhinho que não devemos esperar encontrar a felicidade nas relações humanas, a felicidade está em todo lugar e principalmente nas coisas espalhadas pelo mundo (era mais ou menos isso). Provavelmente fruto da sua decepção familiar. E o velhinho devolve ao vê-lo partindo: vá em frente, fuja para o Alasca.

Somos seres com raiz por nascermos em uma determinada família, possuirmos uma determinada língua e cultura, mas ao mesmo tempo somos seres de abertura. Ninguém segura os nossos pensamentos ou as nossas emoções.Estamos sempre dispostos a mudar, a alterar, a superar e a contestar. Procuramos.Sonhamos para além daquilo que é dado e feito, sempre acrescentamos algo ao real.É da essência humana.

Por isso somos seres errantes, em busca de novos mundos e novas paisagens.O ser humano é um projeto ilimitado, transcendente, não dá para ser enquadrado. Ele pode, amorosamente, acolher o outro dentro de si. Pode servi-lo, ultrapassando limites, mas é só na liberdade que ele o faz, é só quando decide a isso, sem nenhuma imposição.

O filme, apesar do seu fim, nos estimula para irmos ao encontro de nossa verdade, de nossos verdadeiros princípios e fazer-nos questionar a vida que levamos, seja ela boa ou ruim.

Não deixem de assistir o filme.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Há quase um ano atrás...



Minha gente, quem não foi ao meu aniversário do ano passado perdeu. Mas quem ganhou mesmo fui eu.

Já no finalzinho da Festa, na hora do "Parabéns!" (sabem o que é isso né?), o Mr. Field chega para mim e diz: "Tudo bem, Cacá? Você não está me reconhecendo, né?". "Vixe!", pensei. "Não. Quem é?". Ai meu Deus! "Sou o João, trabalhei na stand da xxxx no xxxxx do ano passado..." AHHHH!!!!

O João, mais conhecido por mim até aquele momento por Jonnhy Field, um dos aniversariantes da festa, mandou um recado para os meus amigos ausentes. Ele estava preocupado com a lotação do Galeria e me perguntou se os meu convidados não tinham chegado. Falei que a maioria não tinha chegado e, provavelmente, nem viriam. Ele pediu para agradecer aos meus amigos que não foram, só assim os convidados DELE puderam se divertir mais confortavelmente. Vale!

Mas, quero agradecer, aqui, aos meus AMIGOS que estiveram presentes: Fabinho e Ramon, Luis (Fernando), Edson, Roger, Dida, Ana Amélia e Flávio, Claudia Belsito e Luis Claudio, Fabrício, Ramon e Márcio, Chistopher e Roberto, Ailton, Aldry, Gustavo, Tadeu, Andrea Mattar, Rafael, Elisa e Lupércio (sairam à francesa) ao grupo Com Medo de Virar Abóbora : Dori, Sérgio e Rodrigo.

Menção para o Dori, que como bom "anfitrião", não convidou ninguém pois sabia que ia sair as 23h30. A desculpa era a mesma de sempre: acordar cedo. Como se eu fosse um belo de um vagabundo.

Mas, a festa ficou por conta de uma loira, que dizia ser de uma grande instituição da cultura e que estava acompanhada por um representante do Guggenheim. Ela estava louuuuca e agarrava todos. Luis, Fabinho e Ramon tiraram as suas casquinhas.

Elisa estava como o povo gosta, ou ela mesma. Aproveitando da boa vontade do Lupércio, ficava mais a vontade com o Menino Roger.

Mas a volta para casa alone, é dura e sofrida. Só é quebrada mesmo, pela companhia do taxista quando resolve contar como foi o dia dele.


Antes, vamos as apresentações. " Como é o seu nome?", me pergunta estendendo a mão. Respondo e sou obrigado a fazer a mesma. "Luciano, seu criado" foi a resposta. Aí começou a metralhadora: "acabei de passar por um tiroteio feio. Lá no Jacaré (andou bastante para chegar em Ipanema). Um policial morto. O Salgado Filho estava lotado de policiais revoltados. Quando morre um policial, são 10 bandidos que morrem depois." e por aí foi. Não satisfeito com a minha total indiferença, continuou. "Eu ia comprar um som hoje na Casa & Vídeo, mas acabou a promoção". "Que pena!", retruquei. " Acabei comprando isso...", se abaixa para pegar qualquer coisa. Pronto, pensei, vai me mostrar uma arma... tô ferrado! Nada. Era um carrinho de ferro que ele tinha comprado para o filho mais novo, que, para ele, pai coruja, era um gato. O tal gatinho era comprido, cabelo liso e loiro como ouro. Menino muito esperto. Ficava difícil de acreditar, diante de um pai, caboclo e barrigudo. Ele, mesmo antes que eu falasse qualquer coisa, justificou tal descrição: a mãe tem 1,85 m (nossa! alta, pensei), ex-modelo. Ah...bom! Ele não tinha só esse filho, eram 4. Três meninas e um menino. Vamos aos nomes: Alessandra Luciana, Andrea Luciana, Bruna (sem luciana) e Luciano Júnior. Com um tom de indignação, me explicou por que a Bruna foi preterida do composto Luciana. A mãe quis colocar o nome dela. "Coisa de mulher", disse ele. É! Melhor não contrariar.

E assim cheguei são e salvo em casa em plena quarta feira de Festa